Maio 15, 2008...4:12 pm

Diva ou divã?

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O nome virou papo de divã. Sem pretensão de trazer ensaios sisudos, até porque no divã se fala tanta besteira e devaneios quanto em qualquer botequim… Mas, enfim, a intenção é registrar umas conversas que tenho tido com meus botões, minhas amigas e amigos, minha mãe, terapeuta. Os 30 anos se aproximam a cada dia, muita coisa mudou nos últimos tempos na minha vida e, tendo isso em vista, os papos assumiram um tom mais sereno e reflexivo. Como adoro rabiscar umas linhas – afinal faço isso por profissão, sou jornalista –, resolvi registrar e partilhar isso com quem gosta de mim. Sem o objetivo de tornar isso aqui conhecido muito além dos limites de meu umbigo.

 Não pretendo gastar linhas citando Freud, esmiuçando Reich ou jorrando Nietzsche. Minha competência nisso tudo transformaria o blog em um informativo de duas páginas de edição única. Quero mesmo é fazer uma catarse elaboradinha sobre as sacadas mais prosaicas da vida. Acho mesmo que as grandes sacadas são breguinhas e difíceis de absorver sem antes tirar da gente um riso irônico e preconceituoso. Quer mais que “o verdadeiro revolucionário é feito de sentimentos de amor”? Bom, o próprio Che Guevara reconhecia o risco de ser ridículo que corria ao dizer a máxima. Conseguir entender as frases de sempre de um modo aplicável à vida vem sendo mais revelador do que colocar meus óculos de míope para ler legenda no cinema.

 Enfim, como eu dizia antes, o nome é papo de divã. Por uma dessas limitações internetescas, o domínio ficou papodediva.wordpress.com. Imagine: “entra lá, anota aí: papo-de-diva-ponto…” Putz, papo de diva? Essa dubiedade incomodou, no primeiro instante. Pô, era para ser papo de divã, um boteco com cadeira confortável e onde não vale falar dos problemas colocando a culpa nos outros, na vizinha, no chefe ignorante, no namorado sem-graça, no Bush, no aquecimento global, mas um espaço em que a gente assume as rédeas do presente e do porvir e descobre em que pode contribuir para tornar a própria vida bem gostosinha.

 De todo modo, no segundo seguinte, papo de diva caiu bem. Não que eu quisesse formar um quinteto com Whitney, Celine, Mariah e Beyoncé. Ô absurdo! Mas porque aqui a tônica é fazer uma ode ao feminino, à beleza da metade direita do cérebro. Nada contra a esquerda. Nem ideologicamente nem da massa cinzenta. Mas em tempos de muita mulher de terninho falando grosso, cabe aqui um tempo para a delicadeza que existe em todos nós. Um cantinho que permita olhar a si amorosamente: com lupa, auto-crítica e auto-estima. 

3 Comentários

  • Ficarei feliz em ler seus posts. Acabei de adicionar ao meu leitor de notícias mas percebi que não havia uma categoria em que eu pudesse enquadrar tão empolgante conteúdo, então tratei de criar uma nova categoria chamada “Textos Inspirados”, assim não perco de vista as reflexões inesperadas que despretenciosamente se esparramam na minha cabeça depois de ler seus singelos porém profundos ensaios. Diz-se que é necessário um grande conhecimento para fazer algo extremamente complexo parecer simples, parece me que é esta a relação que você possui com as palavras, essa intimidade sensível fica escancarada logo na primeira leitura. Hoje tenho o privilégio de cutucar a fonte em busca de mais palavras vibrantes, como um cão que fustiga o dono atrás de mais um afago, sou assim eu com seus textos inspirados. Aguardo ansioso pelos próximos textos. Beijos Humberto

  • olha só, uma diva no divã!! kkk Yes, Carol! Vai ser gostoso poder ler os seus textos, suas sacadas, sua visão. Bjucas!

  • Olha, só !!!
    Sempre te admirei. Era muito legal trabalhar com vc !

    A admiração vinha junto com uma certa surpresa ao te observar. Ora, era muita perspicácia e sagacidade numa menininha daquele tamanhozinho!!!

    Agora, lendo você, vejo que vc é maior do que eu pensava !!!

    Imagina quando virar gente grande !!!
    E vai virar…
    Humberto (áudio).

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